Sertanejo

NHÔ BELARMINO E NHÁ GABRIELA

Ribeirão Preto / SP

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Salvador Graciano (Nhô Belarmino) nasceu num lugarejo chamado Santaria, pertencente a Rio Branco do Sul-PR no dia 04 de novembro de 1920 e faleceu em Curitiba-PR no dia 20 de junho de 1984. Sua esposa Júlia Alves Graciano (Nhá Gabriela) nasceu em Curitiba-PR no dia 28 de julho de 1923 e faleceu também em Curitiba-PR no dia 28 de março de 1996.
Salvador com apenas oito anos de idade, já gostava de cantar e alegrar a vizinhança contando anedotas. Sendo de família de músicos, aprendeu tocar diversos instrumentos musicais, dentre eles, a viola e a gaita de oito baixos.
Foi aos 14 anos de idade que Salvador adotou o nome artístico de Nhô Belarmino por ser um nome exótico e gozado. E em 1935, aos quinze anos de idade, ele costumava se apresentar juntamente com sua irmã Pascoalina em festinhas nas redondezas de sua Rio Branco do Sul natal. Era a dupla "Nhô Belarmino e Nhá Quitéria", que permaneceu ativa durante quatro anos. Com o casamento da irmã Pascoalina, o marido não quis que ela continuasse com a carreira artística e, conseqüentemente a dupla se desfez.
Sua primeira composição foi "Linda Serrana" (Nhô Belarmino), em 1936. Nessa época, Nhô Belarmino integrava o regional da PRB2, a Rádio Clube Paranaense; esse conjunto acompanhava os cantores que na época se apresentavam ao vivo na renomada emissora.
Em 1939 (após a separação da dupla "Nhô Belarmino e Nhá Quitéria"), Nhô Belarmino formou uma dupla com Chiquinho Montalto, dupla essa que participou de diversos programas na Rádio Clube Paranaense. E foi nessa famosa emissora de Curitiba que Nhô Belarmino conheceu Júlia Alves, que veio a ser sua esposa em 23 de dezembro de 1939 e com quem também formou a dupla "Nhô Belarmino e Nhá Gabriela", que veio a ser a mais famosa e representativa dupla caipira raiz do estado do Paraná.
Tudo aconteceu por volta de 1937, quando Júlia trabalhava numa fábrica de tecidos na capital paranaense. Numa tarde, quando o material de confecção havia se acabado, as funcionárias haviam sido dispensadas mais cedo. Resolveram então acompanhar uma colega de trabalho num ensaio na Rádio Clube Paranaense, já que ela participava de um programa de calouros. Chegando à emissora, Júlia conheceu Salvador e iniciaram o namoro que resultou no casamento que durou 45 anos, e tiveram três filhos: Clóris, Ivan e Rui.
"Nhô Belarmino e Nhá Gabriela" iniciaram profissionalmente em meados de 1940 quando Nhô Belarmino promoveu um show no bairro de Santa Cândida. Nesse dia havia chovido bastante e os outros artistas da equipe não puderam chegar ao local. Como a chuva, no entanto, foi passageira, o povo compareceu e lotou o salão. Bilheteria aberta, público chegando, ingressos que não podiam ser devolvidos... E os artistas não chegavam! Então Júlia mais algumas primas e amigos resolveram improvisar: uns declamavam, outros contavam piadas e Nhô Belarmino cantava.
E em dado momento Júlia e Salvador resolveram cantar juntos o famosíssimo valseado "Cavalo Zaino" (Raul Torres). E agradaram de tal maneira que foram convidados a fazer outras apresentações em outros dias, Nascia então, quase que por acaso, a dupla "Nhô Belarmino e Nhá Gabriela".
Nhô Belarmino deu o nome artístico de Nhá Gabriela em homenagem a uma tia dele que apreciava bastante a música caipira.
Em 1942, acompanhados por Nhô Dito (Chiquinho Montalto), Júlia e Salvador formaram o "Trio Caipira" que estreou nesse mesmo ano com bastante sucesso na PRB-2, a Rádio Clube Paranaense.
Em 1948 transferiram-se para a ZYM-5 Rádio Guairacá permanecendo nessa emissora por mais de 20 anos, animando diversos programas de auditório. Nessa época, músicas como "Passarinho Prisioneiro" (Luiz Vieira Filho e Nhô Belarmino) e "Linda Serrana" (Nhô Belarmino) passaram a ser conhecidas e cantadas por seus ouvintes.
Com o sucesso alcançado no estado do Paraná, Nhô Belarmino e Nhá Gabriela tornaram-se famosos em vários locais do Brasil. A dupla chegou a trabalhar por um ano na Rádio Gaúcha em Porto Alegre-RS, e também por vários meses na Rádio Guanabara (hoje Bandeirantes) no Rio de Janeiro-RJ, além de vários programas na Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP, dos quais também participaram.
Nhô Belarmino e Nhá Gabriela gravaram o primeiro disco em 1953, na RCA-Víctor, com as músicas "Linda Serrana" (Nhô Belarmino) e "Parabéns Paraná" (Nhô Belarmino e Pereirinha). Essa gravação fez parte das comemorações do centenário de emancipação do estado do Paraná.
E, nos demais discos que se seguiram, Nhô Belarmino gravou cantando em dupla com sua esposa e também solando o acordeon, em composições tais como "Dançando Descalço" (Nhô Belarmino), "Brincando com Oito Baixos" (Nhô Belarmino), "Mocinhas da Cidade" (Nhô Belarmino), "Paranaguá" (Nhô Belarmino), "Mocinhas do Sertão" (Nhô Belarmino), "Passarinho Prisioneiro" (Luiz Vieira Filho e Nhô Belarmino), "Defendendo o Meu Sertão" (Nhô Belarmino), "Moreninha do Vanerão" (Lord Wilson e Ubiratan), gravações que foram sucesso não só em Curitiba-PR e região, mas também em todo o Brasil.
O primeiro LP da dupla foi gravado em 1961 pela RCA-Camdem. E, ao longo da carreira, Nhô Belarmino e Nhá Gabriela gravaram 17 discos 78 RPM, 3 compactos e 11 LPs, sendo que Nhô Belarmino foi compositor de cerca de 99% das músicas gravadas pela dupla.
Nhô Belarmino teve diversos parceiros na composição, destacando-se dentre todos, o amigo Moacyr Ângelo Lorusso. Compositor incansável, Nhô Belarmino estava sempre compondo alguma coisa. Foi nesse mesmo ano de 1953 que veio o estrondoso sucesso do "Passarinho Prisioneiro" (Luiz Vieira Filho e Nhô Belarmino). E em 1959 veio a consagração definitiva no cenário musical brasileiro com a gravação do famosíssimo clássico "As Mocinhas da Cidade" (Nhô Belarmino), cujo sucesso rendeu à dupla diversas viagens pelos mais diversos estados brasileiros em shows e apresentações que foram memoráveis.
Além das gravações em disco e das participações em programas na Rádio Guairacá e na Rádio Clube Paranaense, em companhia de seus filhos Cloris e Ivan, Nhô Belarmino e Nhá Gabriela também apresentaram na TV durante vários anos o programa "Minha Palhoça" e também o "Rancho de Belarmino e Gabriela", programas nos quais eles se apresentavam com diversas duplas paranaenses, tais como "Nascimento e Zeloni", Mensageiro e Mexicano, "Leonel Rocha e Campos", além de outras duplas já consagradas em todo o Brasil, tais como Tonico e Tinoco e Léo Canhoto e Robertinho.
O casal também se apresentou em diversos circos e teatros na capital paranaense, e também no interior do estado, além dos estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. "Passarinho Prisioneiro" (Luiz Vieira Filho e Nhô Belarmino) e "Mocinhas da Cidade" (Nhô Belarmino) são sem dúvida os maiores exemplos do seu sucesso no Paraná e em todo o Brasil.
"Mocinhas da Cidade", por sinal, foi regravada por inúmeros intérpretes.
Após vários anos de sucesso, um derrame cerebral vitimou Nhô Belarmino na década de 1980 e interrompeu a carreira musical e as apresentações da dupla.
Foi no ano de 1983 a última gravação de Nhô Belarmino cantando, quando ele regravou "As Mocinhas da Cidade" no álbum "Curitiba Cidade da Gente". Pouco tempo depois, em seu último trabalho, ele participou de um compacto simples apenas tocando; quem cantou no compacto “Salve, Salve Paraná” e "Moro Lá” foi sua esposa Nhá Gabriela.
E no mês de junho de 1984, Jurandir Ambonatti organizou diversos espetáculos comemorativos dos 60 anos da Rádio Clube Paranaense. A convite do radialista Léo Pereira, genro de Nhô Belarmino e Nhá Gabriela, eles estiveram presentes no antigo Ginásio do Clube Atlético Paranaense, completamente lotado.
Nhô Belarmino subiu ao palco conduzido numa cadeira de rodas. Ao lado de Nhá Gabriela, ele resolveu cantar e foi entusiasticamente aplaudido, tendo sido talvez uma das maiores ovações de sua carreira artística.
Com esse novo alento, Nhô Belarmino chegou a pensar em retornar aos palcos. Mas foi a última apresentação, pois ele faleceu poucos dias depois, nesse mesmo ano de 1984.
Alguns anos depois, Nhá Gabriela, incentivada pelos familiares, voltou a cantar, tendo feito dupla com seu filho Ivan Graciano, até o dia em que ela também adoeceu, vindo a falecer, em 1996, 12 anos depois de seu esposo Nhô Belarmino.
No ano de 1978, Mário Vendramel entrevistou a Nhô Belarmino e Nhá Gabriela e para o Museu da Imagem e do Som. Ao que consta, tamanho é o descaso com a cultura, a fita magnética se deteriorou pela ação do tempo e não se sabe se ainda existe algum registro dessa entrevista de Nhô Belarmino e Nhá Gabriela no Museu da Imagem e do Som.
Ivan Graciano, por outro lado, mantém a atividade artística como compositor, acordeonista, produtor fonográfico e Presidente da Ordem dos Músicos do Paraná. Proprietário da BG Gravações, (fundada em 1977 juntamente com Nhô Belarmino), onde Nhô Belarmino e Nhá Gabriela chegaram a gravar dois LPs, Ivan vem proporcionando aos mais humildes artistas regionais que eles possam gravar os seus sonhados CDs. Ivan é também conhecidíssimo animador das noites curitibanas, sendo que foi dos primeiros a perceber as potencialidades do forró, coordenando seus animados bailes populares na Sociedade União Bacacheri.
Ivan também chegou a apresentar o "Forró de Nhô Belarmino e Nhá Gabriela" no bairro Santa Felicidade na capital paranaense, local esse que acabou tendo o alvará cassado por intrigas políticas. Após o episódio, Ivan, com um público cativo e seguro, levou a apresentação a outros espaços na Sociedade Rio Branco, no bairro do Ahu de Baixo, depois em São José dos Pinhais-PR, no Barigui do Seminário e finalmente no "Arco Íris".
Em Curitiba, no centro da cidade, pode-se visitar, no cruzamento da Rua Cruz Machado com a Alameda Cabral, a "Fonte Mocinhas da Cidade", que homenageia Nhô Belarmino e Nhá Gabriela. Com desenhos do artista Fernando Canalli, possui colunas com pinhões nos capitéis que emolduram quadros de azulejos com versos da letra da música “Mocinhas da Cidade" (Nhô Belarmino), que foi sem dúvida o maior sucesso da dupla.





Texto: Sandra Cristina Peripato

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